Minha primeira funcionária é uma IA. Este é o sistema exato que ela segue (e a regra que ela não pode quebrar)
Os bastidores da primeira automação: do zero ao primeiro carrossel pronto em 8 minutos, os erros que a IA cometeu no teste e a regra de que nada sai sem eu apertar o botão.
Do zero ao primeiro carrossel pronto em 8 minutos, com a IA se corrigindo sozinha e esperando eu apertar o botão.
No fim de setembro, a Meta colocou no ar uma IA que faz tarefas por você, e ela foi parar no topo da App Store dos Estados Unidos (TechCrunch, 22/09). A ideia de ter uma IA trabalhando para a gente saiu do nicho e virou conversa de mesa de bar.
Eu estou testando isso na prática. Sou uma empresa de uma pessoa só e quero que a IA faça o trabalho repetitivo por mim. Na sexta-feira, 25 de setembro de 2026, contratei a minha primeira "funcionária": uma automação que monta carrosséis de Instagram do zero.
Aqui está o sistema exato, passo a passo, com os erros que ela cometeu no caminho.
O problema que eu queria tirar da minha frente
Quem cria conteúdo conhece a rotina. Você quer postar, mas antes precisa escolher um assunto que as pessoas estejam procurando, escrever algo útil de verdade, conferir se não tem nada errado, fazer as imagens e revisar o português. É uma tarde por post. E eu não queria aparecer em vídeo nem passar as tardes nisso.
O formato escolhido foi simples de propósito: carrosséis "7 prompts prontos" para problemas do dia a dia (dinheiro, rotina, trabalho, estudo, saúde, família). Em inglês, esse formato já está saturado. Em português, com temas da vida real e prompts testados, ainda tem espaço.
Passo 1 — Escolher o assunto do dia
A IA lê as buscas em alta no Google Trends Brasil e cruza com um banco de 30 temas da vida real. No dia do teste, o Brasil buscava futebol, novela e loteria. Ela ignorou a loteria de propósito: prompt para apostar é risco para quem lê. Mas quatro buscas sobre streaming (Globoplay, CazéTV e similares, mais de 15 mil buscas somadas) apontaram para um tema que combina com o fim do mês: "parar de pagar assinatura que você nem usa".
A máquina faz a busca. O critério ("aposta não entra") é humano, e fica escrito na regra.
Passo 2 — Escrever 7 prompts prontos
Cada prompt vem com as variáveis entre colchetes, para a pessoa só completar: [SUAS ASSINATURAS], [RENDA MENSAL], [PRIORIDADE]. Há um limite de tamanho e uma regra fixa: nunca pedir CPF, número de cartão ou senha.
Passo 3 — Testar cada prompt de verdade
Aqui a coisa ficou interessante. Cada prompt é preenchido com um exemplo real, rodado, e um "juiz" dá nota de 1 a 5. Nota abaixo de 4 volta para reescrever.
Dois prompts caíram:
- O do rodízio de streaming deixou a IA adivinhar em qual plataforma passava cada série e os jogos do time. Ela afirmou com toda a segurança, sem saber. A versão nova pede que a pessoa informe "título – serviço" e proíbe a IA de supor catálogo.
- O do cancelamento sem enrolação fez a IA citar decreto e artigo do Código de Defesa do Consumidor, um deles aplicado errado. A versão nova diz: "não cite leis nem artigos, só argumentos simples".
Essa é a lição mais útil do projeto inteiro, e vale para qualquer pessoa que usa IA: peça para ela não inventar e perguntar quando faltar informação.
Passo 4 — Revisar (e reprovar)
Depois do teste vem a revisão: checagens automáticas (formato, frases proibidas como "garantido" e "100%", números sem fonte, semelhança com posts de outras páginas) e uma segunda leitura com olhar de editor.
A primeira versão foi reprovada. Motivo: "assina tudo e não assiste nada". Na norma culta, quem assiste, assiste a alguma coisa. A troca foi para "não usa nada", que é mais simples e ainda vale para app e academia. Aprovado na segunda tentativa.
Uma IA revisando a outra e barrando um erro que muita gente deixaria passar: é esse tipo de controle que me deixa dormir tranquilo.
Passo 5 — Montar as imagens
Com o texto aprovado, ela gera os 9 slides em 1080×1350 com a minha identidade visual. Houve ajustes de designer: a fonte começa grande e só diminui se precisar, e uma regra nova impede que uma palavra fique sozinha na última linha (aconteceu com "blefar." no slide 6).
Passo 6 — A regra que ela não pode quebrar
Nada é publicado sem eu apertar o botão. A publicação tem quatro travas: a chave precisa estar ligada, o comando precisa pedir publicação, precisa existir um arquivo "APROVADO" criado por mim, e as credenciais precisam estar lá. Sem as quatro, ela só simula e me mostra o que faria.
IA com responsabilidade não é IA lenta. É IA em que dá para confiar.
O resultado (e o que eu não vou fingir)
O trabalho começou às 10h38. Às 10h46 o primeiro carrossel estava pronto: 9 imagens, legenda, relatório de teste e relatório de revisão. Oito minutos. Eu vi, gostei, e perguntei: "por que sempre 7 prompts?" (essa vai virar enquete).
Agora a parte honesta. Ainda falta ligar três coisas para ela trabalhar sozinha:
- A chave de uma IA de verdade. Nessa primeira rodada, o texto foi escrito pelo próprio agente e passou pelo mesmo fluxo e pelas mesmas checagens.
- A conexão com o Instagram.
- O agendador, planejado para segunda, quarta e sexta às 7h.
Custo estimado de IA para 3 posts por semana: de US$ 1 a 6 por mês. É estimativa; confirmo com a conta real depois do primeiro mês. Ainda não há alcance nem seguidores para mostrar, porque nada foi publicado. Quando tiver, eu mostro.
O que você pode copiar hoje
Você não precisa de um pipeline para aproveitar a lógica:
- Escolha uma tarefa que se repete toda semana e que te irrita.
- Escreva as regras como se fosse treinar um funcionário: o que pode, o que não pode e quando perguntar.
- Mande a IA testar e revisar o próprio trabalho antes de te entregar.
- Nunca dê o botão final para ela. Aprovação é sua.
É assim que uma empresa de uma pessoa só começa a parecer uma equipe.
Se um dia você quiser fazer o mesmo com alguma tarefa sua, existe um plano personalizado aqui no site. Sem pressa.
Atualização de 14 de outubro
Contei acima o que faltava em 25/09. Desde então, algumas coisas mudaram:
- Ela não precisa mais de chave de IA. Decidi que a automação roda como rotina do próprio agente que a construiu, que escreve e revisa o conteúdo. Sem conta de API, sem custo de IA extra.
- O número de prompts agora varia. Respondi à minha própria pergunta: em vez de sempre 7, ela escolhe de 3 a 8 conforme o tema e explica o motivo.
- A página mudou de nome: agora é @guicanteiro.ai. O primeiro carrossel foi refeito com o @ novo.
- O acesso ao Instagram está pronto, conferido só com leitura, e as imagens ficam numa pasta pública no meu próprio Google Cloud.
Ela continua em modo teste. Faltam o agendador e o meu "APROVADO" para o primeiro post sair. Quando sair, conto aqui, com os números reais.
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