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GUILHERME
CANTEIRO.
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O carrossel que virou vídeo

Uma automação já publicava carrosséis de prompts. Agora cada carrossel vira um vídeo curto, gerado e publicado sem revisão vídeo a vídeo. Quatro versões, dois erros que viraram regra e o primeiro número.

Responsável: Guilherme Canteiro · Conteúdo produzido pelo Outro Eu, com supervisão humana.

Do carrossel ao vídeo

Sábado passado, às 8h37 da manhã, saiu nas minhas redes um vídeo que ninguém gravou. Um senhor no sofá recebe uma mensagem de um número novo, como se fosse o filho, pedindo um Pix. Ele desconfia, abre um chat de IA e pergunta o que fazer. A resposta vem em três passos e ele termina aliviado.

O senhor não existe e a situação é fictícia. Quem montou o vídeo foi uma automação, a partir de um carrossel de prompts que ela mesma tinha publicado dias antes.

Este texto conta como isso aconteceu: de onde veio a ideia, o que deu errado, quem decidiu cada coisa e onde eu entrei.

Como começou

Eu sou uma empresa de uma pessoa só. Quem faz o trabalho são agentes de IA: um pesquisa, um escreve, um cria, um publica, um constrói as automações.

Em 25 de setembro nasceu a ideia de uma automação de carrosséis de prompts para o Instagram. Desde 23 de outubro ela publica sozinha, três vezes por semana. A rotina pesquisa o que o Brasil está buscando, escolhe um tema que apareça em mais de uma fonte, escreve os prompts, testa cada um, passa por uma revisão feita por outra IA e publica.

Até o fim de outubro foram quatro carrosséis: lição de casa, Enem, dívidas e golpe.

Só que carrossel é um formato parado. A pessoa precisa parar, arrastar e ler. Então surgiu uma pergunta simples: e se o carrossel virasse vídeo?

A fórmula

Pedi ao agente de estratégia uma fórmula de vídeo que funcionasse para qualquer carrossel. Ficou assim:

  1. Gancho de seis segundos: uma pessoa gerada por IA vivendo o problema do tema.
  2. Tela de chat: o prompt sendo digitado, como alguém faria de verdade.
  3. A resposta: três passos concretos.
  4. Fechamento: a mesma pessoa de volta, aliviada, com uma frase curta.

Uma regra veio junto: nenhum slide do carrossel aparece no vídeo. O vídeo não pode ser o carrossel com música por cima. Ele precisa contar a história de outro jeito.

O que deu errado

Foram quatro versões até chegar lá.

O som que sumiu. Nas três primeiras versões, o som das cenas foi retirado sem aviso. O vídeo ficava mudo nas partes com a pessoa. Só a quarta versão tinha áudio do começo ao fim.

A resposta que não ajudava. Esse foi o erro mais interessante. Na primeira versão, a resposta na tela mandava "organizar tudo numa tabela". Parece útil, mas não resolve. Quem acabou de receber uma mensagem estranha quer saber o que fazer agora, não montar uma planilha.

Isso virou regra: a resposta tem três passos concretos, cada um com o seu motivo, e uma frase final. E toda conta que aparece no vídeo é conferida à mão antes de sair.

Como ficou: a etapa 8

O agente que constrói as automações colocou o vídeo como a etapa 8 da rotina dos carrosséis. Terça, quinta e sábado, ela:

  • pega o carrossel mais recente;
  • escolhe o prompt mais forte;
  • encurta o prompt para uma situação fictícia;
  • gera o gancho com a pessoa;
  • monta a tela do chat com a resposta;
  • gera o fechamento usando o último quadro do gancho como referência, para o rosto não mudar entre o começo e o fim.

A cada vídeo, a pessoa, a cena e as cores mudam, para não ficar tudo igual.

Quem decidiu o quê

Eu tomei quatro decisões:

  1. A própria automação publica o vídeo.
  2. As redes são Instagram, Facebook e TikTok.
  3. O fechamento convida para o site.
  4. O primeiro vídeo vem para mim antes de sair.

Em 31 de outubro o primeiro veio. Eu assisti, liberei, e ele saiu também no YouTube Shorts. A partir dali, ninguém revisa vídeo por vídeo.

Resumindo os papéis:

  • A IA pesquisou, escreveu, testou, gerou e montou.
  • O agente de estratégia desenhou a fórmula.
  • O agente que constrói transformou a fórmula em etapa da rotina.
  • Eu corrigi a resposta que não ajudava, cobrei o som que sumiu e assisti o primeiro vídeo antes de soltar.

O primeiro número

No Instagram, olhando no dia 1º de novembro à tarde:

  • o vídeo teve 179 visualizações e alcançou 152 contas;
  • o carrossel do mesmo tema teve 56 visualizações e alcançou 23 contas.

É um caso só, e os dois posts tinham idades diferentes no momento da leitura. Não prova nada. É uma pista.

A parte honesta

Eu ainda não sei se um vídeo por carrossel aumenta de verdade o alcance de um tema. Também não sei se a fórmula vai cansar, nem se os rostos vão continuar consistentes em todos os vídeos.

Com dez, vinte vídeos, vou ter uma resposta melhor. Eu volto para contar, dando certo ou não.

O que eu levo disso

A IA faz bem o trabalho que se repete. O olho humano entra onde faz mais diferença: no primeiro. Corrigir uma resposta, perceber um som que sumiu, assistir antes de soltar. Depois disso, a regra escrita faz o resto.

Se você tem um conteúdo que já funciona em um formato, talvez a pergunta não seja criar outro do zero. Talvez seja: e se isso virasse vídeo?

Vídeo completo no YouTube: https://youtu.be/ypzKeh1wdCw

Se este texto te fez pensar, compartilhe com quem também está colocando a IA para trabalhar.

Slides de um carrossel sobre golpe e quadros do vídeo feito a partir dele, com a notificação 'Vídeo publicado, feito a partir do carrossel'