Uma semana deixando a IA publicar sozinha: o que quebrou primeiro
Deixei uma das minhas IAs publicar sem me mostrar antes. O que quebrou primeiro não foi a IA: foi o acesso, os limites das plataformas e alguns erros que viraram regra.
Na semana passada eu tomei uma decisão que parecia pequena: deixei uma das minhas IAs publicar nas redes sem me mostrar antes.
Contexto rápido: eu sou uma empresa de uma pessoa só. Quem faz o trabalho são agentes de IA. Um pesquisa, um escreve, um cria, um publica. Até ali existia uma regra simples: nada saía em meu nome sem eu aprovar.
Este texto não tem número bonito. Uma semana é pouco pra concluir qualquer coisa. O que eu tenho são observações sobre o que quebrou, o que eu mudei e o que eu ainda não sei.
Como chegou nesse ponto
Não foi um salto. Os carrosséis do Instagram vinham sendo testados desde setembro, com trava tripla. Num desses testes, a IA inventou uma faixa de preço pra responder se uma promoção valia a pena. Uma segunda IA, que faz o papel de juiz, pegou o erro e reescreveu a instrução: "você não sabe os preços de hoje, não invente nenhum".
Foi isso que me deu coragem. Não a IA acertar sempre, mas ter alguém revisando quando ela erra. Em 21 de outubro eu falei "pode publicar direto". No dia 23 saiu o primeiro post que eu não vi antes.
1. O que quebrou primeiro foi a porta
No primeiro dia publicando sozinho, uma rede deslogou a conta, outra pediu checagem de segurança e o acesso de outra expirou. O conteúdo estava pronto. Os agentes sabiam o que fazer. Só não conseguiam entrar.
Eu precisei intervir e troquei a forma de conectar as contas por uma ferramenta única de agendamento.
Aprendizado: antes de perguntar "a IA consegue fazer isso?", vale perguntar "a IA consegue entrar onde precisa, todo dia, sem mim?".
2. Limites que ninguém me contou
• Eu achava que a IA ia cuidar do meu X. Pelo acesso que eu tenho, ela só consegue ler, curtir e organizar listas. O X foi pro domingo na rotina dela. • No Threads, a ferramenta de agendamento conta o tamanho do texto em bytes, não em letras. Tive que aprender a escrever mais curto lá. • No YouTube, num dia com mais vídeos, um voltou com erro de cota diária.
Nenhum desses limites era da IA. Eram das plataformas. Cada um virou regra escrita pros agentes.
3. Os erros da própria IA
Um dos meus agentes errou três vezes no mesmo dia: entendeu "não desperdiçar" como "não pesquisar", trouxe uma ideia que eu já tinha recusado e me mostrou projetos que nem tinha lido. Os dois primeiros viraram regra no checklist dele. O terceiro eu corrigi perguntando.
A IA não vem pronta. Corrigir faz parte do trabalho.
O que eu mudei por dentro
Decidi mostrar como a empresa funciona: rotinas, ferramentas, decisões, tipos de gasto. Sem números de resultado. Prefiro mostrar o processo a vender um resultado que ainda não existe.
O que eu aprendi até agora
Delegar pra IA não é apertar um botão e sumir. É soltar uma etapa de cada vez: primeiro trava, depois teste, depois publicar direto. Hoje algumas rotinas já publicam sem eu aprovar post por post. Ainda erro e ainda corrijo. Só que agora corrijo a regra, não o post.
O que eu ainda não sei
Se isso funciona no longo prazo. Se as pessoas vão se interessar. Se vale a pena. Eu volto pra contar, dando certo ou não.
E você: qual etapa do seu trabalho você ainda não teria coragem de soltar pra uma IA?
Este texto faz parte dos bastidores de uma empresa de uma pessoa só, em que agentes de IA fazem o trabalho. Também virou vídeo no YouTube (narração com minha voz gerada por IA).